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terça-feira, 8 de abril de 2014

ATO NACIONAL DE REPÚDIO AO CASO TORRES-RS - PROGRAMAÇÃO RECIFE



No dia 11.04.14 (sexta-feira) nos manifestaremos contra o abuso do poder médico, que acionou o poder judiciário para cometer uma das mais explícitas violências obstétricas já vistas neste país: uma mulher grávida foi levada através de mandado judicial por mais de 10 policiais para ser submetida a uma cesárea sem o seu consentimento.

A bebê havia sido avaliada previamente e estava tudo bem com ela e com a mãe. Vários erros grotescos de diagnóstico clínico e de uso da lei para violentar e coagir uma mulher grávida, ameaçando prender o seu marido, caso ela não seguisse na ambulância que apareceu junto com a polícia na madrugada do fatídico dia 01 de abril de 2014. Uma história que parece mentira de primeiro de abril, mas não é.

Divulguem, viralizem esta imagem! Vamos mostrar que o NOSSO CORPO NOS PERTENCE!

Links para referência:

http://somostodxsadelir.wordpress.com/

http://www.bolsademulher.com/saude-mulher/medicos-e-advogados-opinam-sobre-caso-de-mulher-obrigada-a-fazer-cesarea-violencia-ou-risco-a-vida/

http://patysampaiodoula.blogspot.com.br/2014/04/do-blog-cientista-que-virou-mae.html

http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2014/04/em-trabalho-de-parto-levada-por.htm


Posição da FEBRASGO sobre o caso

domingo, 6 de abril de 2014

Debate na JC News sobre Violência Obstétrica

Super bem acompanhada das companheiras de ativismo, Leila Katz (Obstetra e coordenadora do Espaço Aconchego e da UTI obstétrica do IMIP) e Ludmila Cavalcanti (Doula, enfermeira e coordenadora do Grupo Mãe Nutriz), participei hoje de uma debate na Rádio JC News sobre Violência Obstétrica, tendo em vista a repercussão no Brasil e do mundo do caso Adelir, de Torres-RS.

#SomosTodasAdelir

Ouça o debate aqui:
http://radiojcnews.ne10.uol.com.br/2014/04/07/maternidade-e-as-preocupacoes-com-o-nascimento-direito-ao-parto-normal-e-agressoes-osbtetricias/

Maternidade e as preocupações com o nascimento: parto normal e violência obstétrica

parto
Foto: Reprodução / Internet
O direito ao parto normal foi o debate, deste domingo (6), na JC News com Ismaela Silva. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa aceitável de cesarianas é de 15%. No entanto, no Brasil a praticada é de 50%, assim como no Recife. Em algumas unidades hospitalares particulares, esse índice chega a 90%. Na maioria dos casos, as cirurgias cesáreas ocorrem sem a indicação necessária que seria de risco de vida para a gestante ou para o bebê, e são feitas simplesmente por indução dos médicos ainda no pré-natal.
A violência obstétrica e o estímulo à amamentação também foram pontos discutidos no debate que recebeu Leila Katz, médica obstetra e coordenadora do Espaço Aconchego, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) obstétrica do hospital; Ludmila Cavalcante, enfermeira, doula e aconselhadora em amamentação do grupo Mãe Nutriz, e Patrícia Sampaio, também doula, coordenadora do grupo Ishtar de apoio ao parto humanizado.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

[do Blog Cientista que virou Mãe] Denúncia do caso Adelir (Torres-RS) já está na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Presidência da República

Impossível não compartilhar esta postagem do Blog "Cientista que virou mãe" na íntegra.

Por Lígia Moreiras Sena

Denúncia do caso Adelir (Torres-RS) já está na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Presidência da República

Nota pós-publicação.
Após nossa publicação, Adelir ( obrigada a passar por uma cesariana sem seu consentimento) divulgou o resultado da ultrassonografia obstétrica com perfil biofísico fetal que fez na tarde em que esteve no hospital.
Ele foi incorporado ao final desta postagem. 
Como pode ser visto, o exame atestou 40 semanas de gestação e não com 42, como a obstetra havia informado. Ou seja, o pós-datismo alegado não procede. Todos os demais argumentos utilizados - apresentação pélvica e cesáreas anteriores - são rebatidos com o auxílio de recomendações de organizações internacionais reconhecidas e fazem parte da denúncia formalizada, que você pode ver abaixo.


A  ARTEMIS - ACELERADORA SOCIAL PELA AUTONOMIA FEMININA informa que a denúncia referente ao caso de Adelir Carmen Lemos de Góes, retirada de sua casa na madrugada do dia 01/04/2014, em trabalho de parto, por policiais armados, e obrigada a fazer uma cirurgia cesariana sem seu consentimento já se encontra junto à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Presidência da República, que já providenciou o devido encaminhamento para providências.

Para conhecimento, segue a denúncia formalizada.



















quinta-feira, 3 de abril de 2014

Texto de Leila Katz, obstetra, sobre o caso Adelir - Torres - RS

Leila Katz direciona o texto a vários/as obstetras que teriam conduta similar à de Torres. Ou aos/às que, pelo menos estão concordando com esta barbárie que vai de encontro aos direitos reprodutivos de uma mulher.

--
"Sou obstetra como você. Sou formada a 18 anos, tenho além da residência médica, mestrado e doutorado. Sou coordenadora de uma UTI obstétrica e do setor de parto humanizado em um hospital de referência. Sou preceptora da residência médica e faço assistência também. Não conto os partos que assisto, mas posso te garantir que foram muitos. Além disso sou pesquisadora e professora da pós-graduação e entre minhas linhas de pesquisa estão assistência ao parto e gestação de alto risco.

Estudei bastante sobre partos normal após cesárea, inclusive sou frequentemente chamada em congressos para falar sobre esse assunto e posso te garantir: o parto normal após duas cesáreas é SIM uma opção segura, tanto que o próprio ACOG, que como você deve saber é um órgão muito conservador, considera a prova de trabalho de parto como opção segura para mulheres esclarecidas. No último documento do ACOG se fala inclusive dos riscos das cesarianas de repetição. Posso inclusive te mandar esse e outros documentos para você se atualizar.

E assim, EU PARI APÓS DUAS CESÁREAS.


Leila e parte de sua família, no pós-parto imediato de seu VBA2C
Não, meu útero não rompeu como você disse que ocorreria. Eu tomei a decisão consciente de riscos e benefícios de minha escolha e fui respeitada pelas minhas colegas e pude viver essa maravilhosa experiência.

Então, vamos ponto a ponto...

A presença de qualquer cicatriz uterina aumenta o risco de rotura.

Esse aumento de risco é pequeno e em geral abaixo de 0,5%.

Existe na verdade uma controvérsia quando há mais de uma cesárea, enquanto que alguns estudos sugerem que existe aumento de risco em relação a uma cesárea apenas, outros não mostram esse aumento de risco. De toda forma, o risco global naqueles que sugerem o aumento de risco é para algo em torno de 1-1,5%.


Ou seja, nos dois casos o maior risco é de que não haverá rotura.


Outro ponto que precisa ser analisado são os outros riscos associados a repetição das cesáreas. Pois existe aumento de risco de lesão de órgãos, como bexiga e intestino, hemorragia, histerectomia e infecção nas mulheres que repetem a cesárea em relação aquelas que vão para um parto normal.

Em relação ao que você falou do respaldo jurídico é o seguinte: não existe nada sem risco. O que te da respaldo é o adequado esclarecimento da pessoa e explanação sobre os riscos. Se a pessoa escolhe esses riscos conscientemente, e assina concordando com isso, esse é seu respaldo.

E veja, amiga, tantas coisas que nos médicos obstetras fazemos aumentam chances de desfechos desfavoráveis e que são feitos sem nenhuma preocupação. Vamos a alguns exemplos: estudos mostram que o uso rotineiro de analgesia pode levar a Piores resultados perinatais mas rotineiramente os obstetras usam isso sem nenhuma preocupação desse aumento de risco.


Fazer uma cesárea aumenta em mais de dez vezes o risco de trombose, e apesar disso vejo cesáreas serem feitas pelos obstetras sem nem se preocupar com o aumento desse risco. O uso de ocitocina e a própria cesárea aumenta o risco de hemorragia puerperal ( evento por sinal bem mais comum que uma rotura uterina e que também mata) e muitos obstetras abusam dos dois procedimentos em parturientes que não precisam deles sem absolutamente se preocupar com o aumento do risco.


Então aqui na verdade o que está valendo para as pessoas que falam de se proteger de processos não é na verdade o aumento de risco, é o fato do medico não concordar e obrigar a pacientes fazer o procedimento. Num processo você se protege com as evidências e com um termo de consentimento livre e esclarecido assinado.

Claro que a pessoa precisa se sentir segura para realizar a assistência. Todos tem limites que devem ser respeitados. Inclusive o médico tem o direito a não prestar uma assistência com a qual não concorda. Mas aí a atitude correta dessa pessoa que não se sentia segura para atender essa gestante seria referenciar a moça para alguém que o fizesse e não denuncia-la covardemente.

Nos não podemos obrigar um paciente a realizar um procedimento que ele não deseje. Fere a autonomia do indivíduo. Já passei por alguns casos de pacientes gravemente doentes que se recusaram a se submeter aos tratamentos propostos e que me deixaram abalada, pela preocupação com a saúde delas. Entenda elas estavam gravemente doentes internadas inclusive em UTI. Mas como estavam conscientes e orientadas, compreendiam os riscos e assinaram juntos com o marido um documento dizendo que apesar de todo esclarecimento e conhecimento dos riscos, se recusavam a realizar o tratamento respeitamos a decisão delas.

E por fim, concordo com a relação horizontal e honesta, a qual por sinal, foi negada a essa moça não é mesmo?"




--

Leila Katz concluiu Medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1996, fez residência em Ginecologia e Obstetrícia no Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (IMIP), com término em 1999. Tem mestrado em Saúde Materno-Infantil pelo IMIP (2002) e doutorado em Tocoginecologia pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2007). Atualmente é coordenadora da UTI obstétrica do IMIP e professora da pós-graduação (mestrado e doutorado) em Saúde Materno-Infantil do IMIP.

Carta da Rede Feminista sobre o caso Adelir

CARTA

"Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Regional RS

Marcha Mundial de Mulheres

Campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas

Cesariana forçada – uma violação aos direitos reprodutivos das mulheres




O movimento de mulheres do Rio Grande do Sul, por meio de suas entidades, foi tomado de estarrecimento diante da denúncia sobre a realização de uma cesárea forçada no município de Torres esta semana, fato esse confirmado por notícia veiculada na Folha de São Paulo de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1434570-justica-do-rs-manda-gravida-fazer-cesariana-contra-sua-vontade.shtml). 


Segundo se sabe, a gestante ACLG, de 29 anos, após avaliação do seu estado gestacional na unidade hospitalar do município, decidiu aguardar em casa o momento de realizar seu parto. No entanto, inconformada com a decisão, e alegando que o feto estava em posição sentada, uma médica solicitou liminar à justiça para realizar o procedimento, que foi obtida. Levada por policiais militares ao Hospital Nossa Senhora dos Navegantes, a gestante foi submetida à cirurgia para retirada do bebê, uma menina, sem o seu consentimento. Desta forma, os agentes envolvidos, contrariando todos os preceitos de humanização dos serviços de saúde, bem como os princípios do direito, entre os quais destacamos a razoabilidade, a preservação da dignidade humana e a intimidade, impingiram aquela mulher medida excessiva que afeta seus direitos fundamentais, sem qualquer amparo técnico assistencial ou mesmo jurídico.





Em função da gravidade desses fatos, solicitamos à Prefeitura Municipal de Torres, onde a usuária do SUS foi atendida e às autoridades sanitárias, a tomada de providência para sua completa elucidação, pois é flagrante o desrespeito ao direito da mulher de optar pela via de parto para dar à luz. Para nós, uma violação aos direitos reprodutivos, que consistem na possibilidade das pessoas poderem escolher, mediante a informação, como, quando, onde e em que condições ter ou não ter filhos. Estes direitos são amplamente reconhecidos pelas Nações Unidas e firmados pelo Governo Brasileiro em documentos nacionais. Por outro lado, o argumento utilizado pela justiça para a liminar se ancora no direito de primazia do nascituro, esse sim não reconhecido pela legislação brasileira.

Sabemos que no Brasil 55% dos partos realizam-se através de cesarianas, contrariando estatísticas internacionais e a Organização Mundial da Saúde, que recomenda que esse percentual não passe de 15%. Na rede privada estes números chegam a 84% dos partos (2013), segundo a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Isso se deve, segundo importantes estudos à “cultura da realização das cirurgias cesarianas”, a grande maioria desnecessária, não raro induzida pelos próprios médicos, e às oportunidades de realizar outros procedimentos cirúrgicos na mesma ocasião. 





A pesquisa “Cesarianas desnecessárias: Causas, consequências e estratégias para sua redução[1]” realizada com usuárias do SUS e de planos privados de saúde detectou, entretanto, que 70% das mulheres preferem o parto normal. Porém, baseadas no medo da dor do parto, da realização conjunta de laqueadura e o desconhecimento de métodos para aliviar a dor e facilitar o parto, acabam aceitando propostas de abreviar a gestação, alimentando o entendimento de gestação e parto como questões de doença e não de não como evento de saúde da vida das mulheres. 





As consequências das cesarianas desnecessárias são as infecções decorrentes dos procedimentos inadequados, cicatrizes no útero e no corpo, maior tempo para recuperação, perda de autonomia e de participação no momento do nascimento do bebê e influem grandemente nas causas de mortalidade materna no Brasil. Este um grave problema de saúde pública que o país não tem conseguido vencer e vem sendo cobrado em ações como o Caso Alyne no Comitê Cedaw/ONU.





Vivemos tempos de avanço do conservadorismo, do controle da vida das mulheres. Nossa sexualidade tem sido cada vez mais mercantilizada. Nosso corpo facilmente transformado mercadoria para fomentar a sociedade capitalista patriarcal . A indústria da cesariana é uma exemplo significativo desse processo. Exigimos que o Estado adote condutas de responsabilização desta violação de direitos promovidas pelos seus agentes. Exigimos que a autonomia e a dignidade das mulheres, na qualidade de direitos fundamentais, conquistados a duras penas, esteja acima dos interesses e entendimentos individuais, que busquem de qualquer forma, submeter e apropriar-se das escolhas, dos corpos e das vidas das mulheres.





Reafirmamos: os direitos das mulheres são direitos humanos. A saúde reprodutiva é parte essencial dos direitos reprodutivos, devendo ser vivida na plenitude. Uma cesária forçada é uma violência obstétrica, contrariando todos os preceitos do parto humanizado. A violência contra as mulheres é uma violação aos direitos humanos.





Porto Alegre, 3 de abril de 2014

Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos – Regional RS

Marcha Mundial de Mulheres

Campanha Ponto Final na Violência Contra Mulheres e Meninas"

sexta-feira, 21 de março de 2014

Anne, Yanoã e o SUS em que eu acredito

À meia-noite e 5 minutos do dia do mês passado, ou seja, há exatamente um mês atrás, aconteceu um parto natural muito bonito: Anne, uma mulher muito forte, e que estava muito cansada após mais de 20 horas de trabalho de parto (das quais 15 foram parto ativo intra-hospitalares, e sem falar que esse tempo não está considerando os pródromos, que iniciaram na noite anterior), trouxe para nosso mundo Yanoã, que nasceu lindamente, super ativa e foi muito bem recebida neste mundo. Tinha tanta circular de cordão que nem deu para contar, a equipe teve que, literalmente, 'desenrolar' a pequena Yanoã de seu 'cinto de segurança' :). Anne pariu na banqueta de parto, sem absolutamente NENHUMA intervenção. Parabéns, Anne!!! Parabéns, Yanoã!


Tantas circulares de cordão, que parecia um ioiô. :)

Agora a hora do ativismo, depois de ter sido honrada por esta mulher de força para estar junto no nascimento de sua primeira filha: que TODOS os hospitais públicos se adequem à realidade da humanização do parto que já se faz presente no Espaço Aconchego do IMIP, o 'PPP'. O espaço é pequenininho, uma gota de humanização em um oceano de violência obstétrica, mas o espaço está lá, garantido, mostrando serviço. Alguns pequenos ajustes ainda são necessários, mas o caminho já foi aberto. As pessoas que atuam na assistência ao parto lá foram deliciosamente envolvidas pela humanização do parto. E esse caminho é o caminho certo: o caminho de respeito à mulher como uma PESSOA que ela é. Gratidão a Carol, Priscila e tantas outras que mostraram que uma assistência diferenciada e focada no bem-estar da mulher pode ser possível no nosso SUS.



O apoio na triagem do IMIP.

Aos 'episiotomistas' de plantão, gostaria de informar que não, ela não teve uma ~laceração que uniu vagina e ânus~, como gostam de acreditar que SEMPRE acontece em parto normal. Apenas uma pequena laceração de primeiro grau (só mucosa, sem envolvimento muscular), 3 pontinhos apenas, que só foram necessários por causa do sangramento (porque se não estivesse sangrando, essa sutura seria repensada/dispensada). Se fosse feita uma episiotomia 'preventiva', o estrago teria sido MUITO maior, você sabem que quando se envolve músculo a coisa muda de figura. Repensem seus conceitos, por favor, e parem e cortar os períneos das mulheres sem necessidade.



Massagem com bolinha, já no Espaço Aconchego (PPP) do IMIP

Agradecendo profundamente à queridíssima amiga Leila Katz pela disposição em lutar pelos direitos das mulheres no nosso sistema público de saúde, e pela disponibilidade e coração entregues à causa, sempre - e para sempre.




Liberdade de movimentação e escolha
das posições mais confortáveis para ela.

E, principalmente, desejar do fundo do meu coração que todas as usuárias do SUS adquiram o empoderamento que Anne adquiriu. A mulher SABIA o que queria, e isso fez A DIFERENÇA no nascimento de Yanoã. Nós, do Ishtar - Recife, acreditamos que esta mulherada é quem vai fazer a verdadeira revolução da humanização do parto.



Anne bastante serena, em pleno trabalho de parto.

Ainda me emociono com a beleza do momento e com a força de minha querida Anne.



Amamentação na primeira hora

Pois é, NÓS PODEMOS! E podemos pelo SUS!!!


Uma Doula orgulhosa pela certeza da força
intrínseca de todas as mulheres.

Portanto: DEIXEM AS NOSSAS MULHERES PARIREM EM PAZ, POR FAVOR. É SÓ DISSO QUE ELAS PRECISAM: APOIO E SOSSEGO.


A mamãe Anne cansada, orgulhosa, poderosa e feliz.
A filha Yanoã serena, curtindo o calor do contato pele a pele,
que é tudo o que ela precisa neste momento.


Em visita pós-parto, trocamos de filhas por instantes. <3


A pequena Yanoã hoje, completando seu primeiro mês de vida. <3
Aí eu pergunto: Como não morrer de AMOR pelo meu trabalho como Doula?

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Para Adriana, Eduardo e Peu: só AMOR.

Parabenizando Adriana e Eduardo pela força, energia, sintonia, amor, entrega e aceitação do processo respeitoso da chegada de Pedro (ou Peu, para xs íntimxs). E aproveitando para fazer uma declaração de amor (e de ativismo de feminista do parto - lógico que eu não vou perder essa oportunidade hehe).




Meus parabéns a uma mulher determinada, decidida, que, aos 45 do segundo tempo, virou sua vida ao avesso, mudou tudo o que estava planejado, mudou de obstetra às 41 semanas de gestação, após 2 cesáreas prévias, mesmo descobrindo um quadro de pré-eclâmpsia leve se desenvolvendo. Esse processo desenvolveu várias descargas de adrenalina o qual nenhuma gestante deveria passar, mas ela enfrentou tudo isso com muita força. Uma lindeza a força dessa mulher em trabalho de parto; uma lindeza a resignação e o amor deste homem apoiando todas as decisões dela e participando ativamente do processo de chegada de seu primeiro filho. Uma lindeza a aceitação de ambos de que nem sempre o processo finaliza como a gente planeja, mas o entendimento de que o mais importante em tudo é a forma como o processo se conduz, com respeito, com amor, com emoção, muita emoção. O caminho faz toda a diferença na vida das pessoas envolvidas, inclusive na do bebê que está chegando. O parto humanizado é um caminho, ele não é o fim do caminho, mas todo o percurso.

Agradecendo a esta nova família pela honra em me permitir participar de um momento tão íntimo, ímpar e importante na vida dessas pessoas. Agradecendo toda a confiança nas nossas conversas e indicações.




Parabenizando e agradecendo fortemente também à equipe que topou a mudança de última hora, que monitorou tudo com muito cuidado, com muito amor, com muito respeito a todas as escolhas dessa mulher. Foi um nascimento LINDO, sem sofrimento, humanizado. Peu nem chorou direito, não sentiu o choque da transição entre o mundo do lado de dentro para o mundo do lado de fora. Ficou só observando os olhos do seu pai, ambos em processo de reconhecimento mútuo. Mamou na primeira hora, não foi agredido no pós-parto imediato com luzes fortes, nem frio, nem colírios, nem sondas, nem corte precoce de cordão umbilical, nem separações bruscas.

Agradecendo à rede de apoio com a qual eu sei que consigo sempre contar, seja com dicas técnicas, seja com emanação de energias feministas. Um universo se forma e conspira fortemente em defesa dos direitos da mulher e da criança em um parto humanizado. É impressionante e incrivelmente linda a força conjunta que nós temos, a conexão que nós formamos em defesa das escolhas das mulheres.

Apenas: LINDO. Ainda em êxtase aqui.




Seja bem-vindo, Peu. Que você tire de letra a amamentação, assim como tirou de letra o trabalho de parto às 41 semanas e 3 dias de gestação. Tava era bom lá dentro, néra? Mas aqui fora também é bem legal, tenho certeza de que sua mãe e seu pai farão você entender que aqui fora pode ser ~quase~ tão bom como estava dentro do seu aconchego simbiótico no útero de sua mãe. Tenho certeza de que sua missão aqui será vista em breve neste mundo que precisa tanto de mudanças. E eu acredito MUITO na sua geração, na geração das crianças que nascem assim, dessa forma.

Seja bem-vinda ao mundo de uma obstetrícia respeitosa, Adri. Esse é o mundo no qual eu acredito. Um dia todas as mulheres em trabalho de parto serão tratadas como você foi hoje. Porque TODAS as mulheres merecem uma assistência humanizada e cuidadosa, sem perder o rumo da segurança e da ciência.

Seja bem-vindo ao mundo dos pais, Eduardo. Boas surpresas o aguardam. E muito aperreio também hehehe 

E, por fim, seja bem-vindo, 2014. Você chegou chegando.

‪#‎emocionada‬

‪#‎humanizabrasil‬

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O Machismo e sua relação íntima com o Parto Hospitalocêntrico

O parto hospitalocêntrico se configura como uma forte expressão do machismo na nossa cultura.

Simbolicamente, religiosamente e culturalmente, é por aí mesmo. A Bíblia já falou na 'dor do parto' como punição para o 'pecado capital', as mulheres pagam pelo 'pecado do sexo'.

Sabem por que? O parto sempre foi um evento exclusivamente feminino que os homens NUNCA conseguiram controlar, durante toda história da humanidade. Aí veio a medicina intervencionista (que era feita e pensada APENAS por homens em seu princípio) e patologizaram o parto, a fim de tentar controlá-lo. Determinaram uma série de rituais - hoje são as conhecidas 'rotinas hospitalares padronizadas' e, na maioria das vezes, desnecessárias, como a raspagem dos pêlos pubianos, o rompimento precoce da bolsa, a episiotomia, a posição deitada como sendo obrigatória, as mãos presas, a cesárea desnecessária e desinformada, até o próprio endeusamento da figura do médico - que servem para mostrar a ela quem 'tem' que estar no comando, acabando com todo o protagonismo da mulher sobre seu próprio corpo e, consequentemente, sobre seu parto.

Hoje ninguém pensa muito como tudo isso começou, mas está tudo lá, na Antropologia. É só parar para pensar.

Porém, mesmo com tantas tentativas de controle sobre o corpo da mulher, o parto continua sendo um evento incontrolável. Daí, o aumento da quantidade de bebês prematuros nas UTI's neonatais em consequência do excesso de cesarianas agendadas prematuramente, além da quantidade de partos normais 'traumáticos', que querem fazer crer que a mulher é essencialmente 'defeituosa'.

Não precisa ser assim. Não TEM que ser assim. Basta a Mulher se informar, se empoderar e tomar de volta aquilo que SEMPRE pertenceu a ela.

Em tempo: a tecnologia é ÓTIMA e pode salvar muitas vidas, em casos específicos. O problema é o mau uso dela e a crença na incapacidade do corpo da mulher.